
Humilhação. Acho que essa é a palavra certa para definir o dia de hoje. Desde o dia 23 eu tenho plantado confiança, tenho tentado não perder a fé. Durante esses 8 dias eu não deixei de acreditar nem por um segundo que a remontada culé aconteceria. Eu sabia que não era uma missão fácil, mas se tratava do melhor time do mundo, por isso não era impossível. Eu dizia todos os dias a mim mesma “não desista, eles vão conseguir” mesmo ouvindo de todos que aquilo nunca seria possível. Por que o time que tomou de 4x0 conseguiria fazer 5x0 uma semana depois? Mas eu acreditei, acreditei porque o Barça havia me ensinado que nada era impossível. Lionel Messi havia me ensinado que nada era impossível. Todos riam da minha cara quando eu dizia que passaríamos para a final, mas eu não ligava, estava convencida de que “quem ri por último, ri melhor”. Depositei a minha confiança em cada jogador do Barcelona, e principalmente, no Messi. Eu dizia a todos que ele seria o nosso salvador, ele nos daria de presente a classificação. E não fui só eu, todos os jornais, revistas e canais de TV colocavam o Messi como o homem do jogo. Contei os segundos para o tão esperado 1º de maio, ontem fui dormir confiante e hoje acordei mais confiante ainda. Os culés não aguentavam mais esperar, tínhamos certeza que que nossos guerreiros não nos decepcionariam. Os mais sortudos haviam comprado ingresso para o jogo, estariam lá presenciando a remontada histórica. Esses veriam de perto os melhores jogadores do mundo tornarem o impossível, possível. Finalmente o grande dia chegou, estávamos todos muito tensos, mas ainda muito confiantes. Até que saiu a lista de titulares e para a surpresa de todos, o salvador da pátria, Lionel Messi, começaria o jogo no banco. 50% da nossa confiança foi embora com essa notícia. A maioria se revoltou, afinal, como deixaríamos de fora o melhor jogador do mundo em um jogo decisivo como esse? A justificativa apresentada pelo treinador, Tito Vilanova, foi que a lesão do Leo tinha voltado a incomodar e por isso ele só jogaria o 2º tempo. O que era estranho, já que ele havia tido uma ótima atuação no jogo anterior, há 4 dias atrás, com direito a golasso. Ok, ainda tínhamos 45 minutos de Messi, ainda havia esperanças. O Camp Nou estava maravilhoso, o mosaico tinha ficado extraordinário e ainda contávamos com 90mil torcedores lá dentro, para dar apoio ao nosso time. Bom, o final dessa história eu não preciso nem falar, não é mesmo? Os gols que precisávamos garantir no primeiro tempo, não garantimos. Os jogadores pareciam não se importar, o que estava acontecendo? O segundo tempo prometia Messi em campo e qual foi a nossa surpresa quando o time do Barcelona voltou sem alterações para o segunda metade do jogo. Messi continuava no banco, roendo as unhas, nervoso, assim como toda a torcida. Faríamos 5 gols, sem Messi, em 45 minutos? A resposta veio nos primeiros dois minutos de jogo, era gol do Bayern. Agora sim, o sonho tinha acabado. Um filme passava pela cabeça dos culés, um filme que já havíamos assistido anteriormente, na eliminação do ano passado. Sem dúvidas, não classificaríamos, mas a vitória ainda era possível. Podíamos ter saído do Camp Nou de cabeça erguida, desclassificados, porém vitoriosos. Mas parece que não era isso que Tito Vilanova tinha em mente. O que me pareceu é que o Barça tinha desistido, antes mesmo de tentar. Aos poucos nossas peças fundamentais foram saindo de campo, primeiro Xavi, depois Iniesta. A justificativa dessa vez é que Tito queria poupar os jogadores. Mas poupar para o que? Agora só nos resta a Liga, que já está ganha. Não tinha porque poupar ninguém. Estávamos entregando o jogo para o Bayern, isso estava ficando bem claro. Sim, o melhor time do mundo tinha desistido. O time que me ensinou que nada era impossível, tinha desistido. Nunca fiquei tão decepcionada. A classificação era uma missão quase milagrosa, mas isso não os dava o direto de desistir assim. E os torcedores que acreditaram? Que não perderam a fé? Todos haviam quebrado a cara. O que queríamos ver, era os nosso time lutando até o final. Perder tentando seria muito menos humilhante do que desistir antes do término do jogo, como aconteceu. Ao final, diante de um placar de 3x0 para o Bayern, com direito a gol contra do Piqué, os jogadores não me pareciam muito abatidos, pelo menos não todos. Villa foi um dos poucos, saiu chorando, mas não atuou bem no jogo. Piqué foi o melhor do time do Barça, mesmo com o gol contra. Ele parecia ser o único que entrou em campo pensando na classificação. Fábregas também chorou, mas perdeu chances no jogo que não podia ter perdido. E tirando esses três, não vi muita tristeza entre os jogadores. Eles estavam bem, pareciam ter aceitado a desclassificação, o que me indignava. Quem não estava bem eram os culés. Estavam humilhados e surpresos com a atuação do time. A verdade é que o Tito não acreditou como nós, ele deu o Barça por vencido, fez exatamente o contrário do que um treinador tem que fazer. Mas agora já era, estamos fora da Champions, assim como estamos fora da Copa do Rei. Não há nada que o time possa fazer, se não pensar no futuro. Não era isso que eu esperava do grande Barça. Não deixarei de apoiar meu time, de acreditar. Afinal, nada vai tirar as alegrias que ele me proporcionou, que não foram poucas. Não critico o Barça por ser menos culé, critico como uma mãe que chama atenção de um filho. Mas confesso que fiquei indignada e triste, muito triste, em ver que o torcedor acreditou e o próprio time se entregou.
(Source: ventodemaio)







